Entra ano, sai ano e o amor continua vitimando vários por aí. Quem não foi pego, que atire o primeiro coração intacto.
Enquanto nos deparamos com todas as canções e todos os filmes de romance que falam sobre o amor e quão maravilhoso é amar alguém, existe uma multidão que já sofreu por ele e continua procurando o fruto que passou por putrefação. O amor é um ímã que chega querendo apenas grudar em nossa vida, mas isso até o momento que estiver gasto o bastante para não colar mais. Aí chega um outro otário achando que ainda consegue fazer colar aquilo que já não presta mais para nós.
O amor pode fazer maravilhas, pode ser a melhor coisa que alguém tem no mundo, pode reconstruir o caráter de um vagabundo, pode nos fazer sonhar mais alto, pode nos deixar mais autoconfiantes.
Chega uma hora que não há como suportar tamanhas mudanças ou diferenças em quem a gente sempre quis, em quem a gente sempre achou que teve. Aí o amor vira uma merda mesmo. Não só o amor, mas a pessoa, a tua vida, a coisa toda do Universo. Tudo, tudo se resume a um grande desastre, daqueles que a gente passa num pesadelo e não deseja nunca que aconteça nem mesmo aos desafetos. Meu problema não é o amor, mas o que a gente faz quando ele desgasta.
Se você me perguntar se eu já amei, eu digo que amo. O amor é um doença e eu vou carregando para o resto da minha vida, já esperando que não vou resistir a mais encantos e prantos em frente à tevê. Eu me pergunto quase que todo dia se eu preciso esperar tanto para acontecer algo ou se eu mereço mesmo ser tachado como um canalha que vive fazendo as pessoas de marionetes em meu cenário, sendo que este cenário já declarou falência há muito tempo.
E quantos corações a gente quebra nessa brincadeira? Quantos "veja bem" a gente precisa criar para sair de uma situação embaraçosa? Quanto sofrimento a gente poderia evitar? Quantas caras a gente precisa ver viradas contra nós, até que o amor cumpra sua promessa de ser sempre intenso? Que bobagem, o amor não promete nada. Quem promete é a gente, na esperança de contar com o amor mais uma vez. Na verdade, o amor é isso aí: uma eterna incógnita, que só funciona quando nós não o priorizamos.
Até que as lágrimas sequem e os desejos de ter aquela pessoa ao seu lado - novamente, pela primeira vez ou como se fosse a primeira e última - cansem de se manifestar, o amor ainda tem longo tempo para aprontar das suas.
O amor é um vício, mas a gente ama se sentir como um viciado.
Fah Sottomaior

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
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